Claude vai acabar com agências de marketing?

“Claude vai acabar com todos os empregos! SEO e performance marketing morreram!”, gritam gurus digitais.

Segundo eles, basta um prompt para criar uma agência, automatizar todo o marketing e, de quebra, aposentar todo o mercado da área. E pra provar que é verdade, você comenta “CLAUDE”, “QUERO SABER MAIS” ou qualquer outra palavra mágica e compartilha o post. Assim o post ganha alcance e todo mundo finge que previu o futuro começando em 2026.

Reposte o conteúdo e, com sorte, você recebe um cheat sheet genérico que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa em qualquer lugar. Enquanto isso, centenas de outras pessoas, às vezes milhares, fazem exatamente a mesma coisa, repetindo o mesmo ritual de engajamento.

No final, o verdadeiro growth hack nunca foi a expertise da ferramenta, mas o bait que ela lançou pra você. O discurso sobre o fim dos empregos, o fim do marketing ou o fim do SEO nasce da lógica básica de atenção que governa as redes sociais. Você acha que esses criadores fizeram mesmo uma análise profunda do mercado ou estão manipulando o medo do público para ganhar cliques? 

Quando alguém diz que uma ferramenta vai substituir todo um mercado, o que está sendo vendido raramente é uma previsão realista. O que está sendo vendido é uma narrativa que chama atenção rápido o suficiente para viralizar antes que alguém pare para questionar, e pode, realmente se tornar uma realidade à medida que a área de marketing digital é desvalorizada por discursos como esse. Repetem uma mentira até que ela se concretize por outro tipo de força.

O problema é que, enquanto essas narrativas se espalham, uma outra realidade vai se consolidando silenciosamente: o cansaço geral dos leitores e do público.

As pessoas estão cansadas de ler só textos claramente gerados por IA, cansadas de posts iguais e cansadas de materiais que não foram editados, revisados ou sequer pensados para quem está lendo.

Quanto mais conteúdo automatizado aparece, mais evidente se torna a diferença entre produção em massa e comunicação de verdade. A IA acelera o processo, mas não resolve o problema central do marketing: entender contexto, construir mensagem e falar com pessoas reais, da forma que elas preferem.

Por isso, a ideia de que uma única ferramenta vai acabar com todos os empregos é menos uma previsão e mais uma estratégia de marketing baseada em medo e novidade. No fundo, é a mesma lógica que sempre existiu no mercado digital: transformar qualquer mudança tecnológica em uma narrativa urgente o suficiente para gerar engajamento imediato.

E, ironicamente, isso prova exatamente o ponto que muitos desses posts tentam negar: marketing continua existindo, continua funcionando e continua sendo uma das forças mais poderosas para moldar percepção, criar narrativas e direcionar comportamento.

O que continua acontecendo é o mesmo de sempre: novas ferramentas surgem, novas promessas aparecem e o mercado se adapta com o tempo. Porque, no fim, o que parece uma grande tendência inevitável muitas vezes é só uma boa jogada de marketing disfarçada de previsão de futuro.

E o growth hack continua sendo o mesmo de sempre: atenção.

Veja o vídeo que compartilhamos no nosso Instagram sobre o tema.