O produtor musical e compositor Brian Eno tem uma teoria interessante sobre estética. Às vezes, aquilo que parece um erro acaba sendo justamente o que torna algo memorável. Um cantor que não atinge todas as notas perfeitamente pode ser visto como mais expressivo. Um quadro fora de proporção pode ser mais impactante. Uma música mal mixada pode soar mais autêntica. O que começa como um “defeito” pode virar assinatura estética. Vamos entender o marketing da imperfeição: por que errar pode ser uma estratégia.
No marketing, essa lógica também se aplica. Durante anos, marcas buscaram a perfeição: campanhas milimetricamente planejadas, imagens polidas, discursos alinhados. Só que essa perfeição excessiva cria distanciamento. Hoje, o público se conecta mais com o que parece real — e o real, por natureza, tem falhas.
Pense no impacto dos vídeos espontâneos em comparação a comerciais super produzidos. Ou no jeito como erros gramaticais calculados em tweets de marcas geram mais engajamento do que posts impecáveis. Até mesmo no design, o visual limpo e perfeito das campanhas tradicionais está dando espaço para uma estética mais crua, parecendo “feita em casa”. O algoritmo das redes sociais já entendeu isso: conteúdos com cara de anúncio passam batido, enquanto os que parecem autênticos seguram a atenção.
A teoria da feiura de Eno também explica por que certas campanhas inesperadas funcionam. Quando o Burger King inverteu o conceito de fast food e mostrou seus hambúrgueres mofando para provar que não usavam conservantes, estavam aplicando essa lógica. Era feio, mas era memorável e transmitia uma mensagem poderosa.
Ou pense na ascensão de influenciadores que fogem do padrão estético tradicional. Enquanto por anos a publicidade exaltou a perfeição, hoje criadores que falam com naturalidade sobre falhas e vulnerabilidades são os que mais constroem comunidade.
Isso não significa que tudo deve ser caótico ou malfeito. Mas existe um espaço entre a perfeição inatingível e o erro estratégico. A questão não é buscar a feiura por si só, mas entender que a imperfeição pode ser um diferencial, daí “marketing da imperfeição: por que errar pode ser uma estratégia”.
O que parece um problema pode, na verdade, ser sua identidade. O que soa estranho no início pode virar tendência. E o que parece feio hoje pode ser o que torna sua marca inesquecível amanhã.